domingo, 31 de maio de 2015

EMPREGO: sugestão original

Sinal do tempo que se vive hoje em Portugal, chegou ao conversas@gmail.com referido aqui em anterior "post" de apoio à ruadojardim7, o seguinte pedido de uma desempregada com habilitações de nível médio:

"Agradece-se a quem, na zona da Grande Lisboa, TENHA MAIS DO QUE UM EMPREGO, que dispense um deles a meu favor.

Sou "designer" de interiores (IADE) tenho também prática de secretariado e falo/escrevo inglês e francês."


  Bom dia! Obrigado.Por favor, multiplique a sugestão junto dos seus amigos.

Santo António dos Cavaleiros das crianças


Retratos a sépia (1980) * - 1 - Princípios doutrinários

* in À Sombra da Minha Latada, de M.A.

"Não creio num sistema todo-poderoso, criador de céus e de terras, nem num único senhor concebido pelo Espírito Santo, ou por qualquer outro que se diga nascido virgem de intenções latifundiárias ou partidárias, mesmo que se afirme ter padecido anos de prisão e queira fazer-se passar por vítima de torturas e sevícias no inferno de um calabouço. Ainda que ao terceiro ou quarto dia tenha tentado a fuga, subido o muro para se evadir e aparecer depois votando à esquerda para julgar vivos e, se possível, mortos em nome de um ideal sempre apregoadamente santo e ingénuo.

Gostava de poder crer na comunicação irmã entre todos os homens sem omissão de raças, sem retaliações na carne, na vida fraterna. Gostava que assim fosse.

Mas não é.

Por outro lado, o que todos os dias pretendem que faça é:

1º - Que oiça um único senhor e que o respeite acima de tudo e de todos.

2º - Que não invoque outros partidos estrangeiros com experiências políticas semelhantes - e humilhantes.

3º - Que trabalhe nos domingos e dias feriados que forem considerados como fazendo parte de qualquer "batalha da produção".

4º - Que me esqueça da família se o partido fizer um comício.

5º - Que mate se necessário para salvar a honra da causa.

6ª - Que não tenha castidade nas palavras nem nas obras, desde que me digam que certos interesses partidários estão jogo.

7ª - Que furte desde que o dinheiro acumulado pelos outros seja mais do que aquele que eu ganho.

8ª - Que, se necessário, procure falsos testemunhos para bem da causa.

9ª - Que tenha limites nos meus pensamentos e desejo de bem-estar.

10ª - Que me aposse das coisas alheias sempre que os meus dirigentes me digam que é no interesse comum.

Não cumpro.

Todavia, insistem para que eu:

1ª - Oiça todos os discursos do chefe do partido.

2ª - Não me confesse a não ser ao partido.

3ª - Comungue unicamente dos seus infalíveis ideais.

4ª - Procure abster-me se não puder votar contra os outros e faça o possível por dar a impressão de jejuar sempre que fale de apetites que possam parecer burgueses.

5ª - Contribuir, directa ou indirectamente, para as despesas do culto da personalidade e para a sustentação do partido, segundo as deliberações tomadas pelos órgãos centrais e as determinações oriundas dos seus maiores.

Ignoro.

Não obstante, acham que devo:

1º - Dar de comer a quem tem fome - sobretudo se for do partido.

2º - Dar de beber a quem tem sede - sobretudo se acabar de falar às massas.

3ª - Vestir os nus - se não houver suspeita de terem pertencido às classes ditas mais favorecidas.

4ª - Dar pousada aos peregrinos - sobretudo aos que trazem consigo ideias dos povos irmãos na crença partidária.

5ª - Assistir aos enfermos - desde que não estejam em recuperação psicológica por oposição ao partido.

6ª - Visitar os presos - desde que tenham defendido a causa.

7ª - Enterrar os mortos e, se necessário, os vivos que não se enquadrem nas directrizes partidárias."


Ia a passar e ...

Ia passar e, longe, no ar, entre trabalhadores que reparavam um telhado, voou um telha ...
À entrada da igreja de S. Domingos, em Lisboa, um pobre dá pão ao companheiro necessitado ...

Museu Colecção Berardo (3)


Macau: Países de língua portuguesa na mira dos construtores chineses



by Ponto Final
A construção de infra-estruturas no contexto da estratégia ‘Uma Faixa, Uma Rota’ é o tema privilegiado pelo 6.º Fórum Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas. O certame decorre na próxima semana em Macau. 
Isadora Ataíde
"A América Latina e os países de língua portuguesa são o foco do 6.º Fórum Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas, que se realiza nos dias 4 e 5 de Junho em Macau. A cooperação internacional no contexto da estratégia chinesa da Rota da Seda e a integração regional no campo das infra-estruturas serão os temas privilegiados pelo encontro, no qual representantes de 36 países e territórios já confirmaram presença.
“Nesta edição, o Fórum está subordinado ao contexto da estratégia ‘Uma Faixa, Uma Rota’. Outro elemento inovador é o foco na cooperação entre a China, a América Latina e os países de língua portuguesa”, observou Chan Tze Wai, subdirectora da Direcção dos Serviços de Economia, na conferência de apresentação do evento.
Macau quer mais uma vez desempenhar um papel de destaque na realização do evento e na promoção de negócios: “O Fórum revela o papel destacado de Macau enquanto plataforma para os negócios entre os países de língua portuguesa. Mas não só. A realização do evento contribui para divulgar a RAEM como centro de convenções e exposições, além de promover os negócios entre as empresas de Macau e do interior da China no âmbito da cooperação regional e da nova Zona de Livre Comércio de Guangdong”, sublinha Chan.
Associado ao evento, acontece também o 1.º Fórum de Cooperação em Infra-estruturas Sino-CELAC, organizado pelo ministério do Comércio da China e que visa acelerar os acordos entre o país e a América Latina, reforçando a construção de infra-estruturas interligadas naquele sub-continente: “O encontro é uma plataforma para a realização de negócios entre empresas e para actualização profissional. Vai-se discutir a importância da estratégia ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e vão-se apresentar produtos financeiros inovadores para o desenvolvimento das infra-estruturas. Também teremos exposições e serão assinados protocolos de cooperação”, destaca Yu Xiaohong, secretária-geral da Associação dos Construtores Civis Internacionais da China.
Para além de empresas de construção, o certame traz também até Macau instituições financeiras de peso. O Banco Asiático de Desenvolvimento, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco da China já confirmaram presença. O vice-presidente da Costa Rica e o vice-primeiro-ministro das Bahamas – entre representantes governamentais de outros 36 países – estão entre os convidados de honra do certame, que decorre no Venetian.
À margem da iniciativa, no dia 5, realiza-se uma reunião ministerial do Fórum Macau, na qual devem marcar presença representantes da China, da Guiné-Bissau, de Portugal e de Timor-Leste. O secretário de Estado das Infra-Estruturas, Transportes e Comunicações do Governo de Lisboa, Sérgio Silva Monteiro, deverá representar Portugal em ambas as iniciativas."

Maluqueiras de amador ...

Amador é o que ama, diz-se. E, mal ou bem, adoro fotografar (em família, ou quase, embora). E (vi-o nesta altura nos "meus arquivos") um dia cismei subir à torre mais alta das Amoreiras, em Lisboa, mostrei os cabelos brancos a quem me recebeu e, dez minutos depois, máquina fotográfica visível e em punho, devidamente acompanhado, lá fui ...

- É uma sensação agradável?...

- É. Foi.As alturas, em regra, impressionam.

E lá vi tudo ... Tubos, fios, antenas, pedaços de Tejo, e de, algum modo, aviões e ... e o que vários telhados mostram em redor. Mas tirei daí o sentido: não merece sonho de miradouro. A janela da casa de banho do centro comercial do Baixa Chiado, sim, é muito melhor: vê-se a Sé, vê-se o castelo de S. Jorge, vêem-se telhados pombalinos e ... e, a seguir, a gente até verte águas ...

Lá, no alto das Amoreiras, o que ficou foram os "bonecos" que aí deixo (apesar de tudo, podiam estar piores ...) e ... e a amabilidade de quem me acompanhou para isto ... Documento, embora. Para que "ninguém" maluque o mesmo. Ou tenha melhores olhos ... E melhor máquina, claro.

Esta última, foi tirada a partir da casa de banho 
do Centro Comercial do Chiado, em Lisboa













sábado, 30 de maio de 2015

Palavras cruzadas XXX: Cunhal, Marcelo, Salazar, Soares *













































* pela ordem que quiserem, que na ruadojardim7 é assim: as conversas são como as cerejas ...umas puxam as outras - e terminam sempre da mesma maneira


























Países de Língua Portuguesa: a palavra do Prof. Adriano Moreira

Lembrar, REPETIR registo,
que a memória dos homens é curta 
e o Prof. Adriano Moreira não é eterno.

Em família:ver Emilia Alves, a pintora


Colaboração externa (86) - O ninho

Os filhos
Reparai naquele berço, afofado, pequenino,
onde jaz no sono imerso, aquele róseo bambino.
Junto do filho querido. Sente-se orgulhosa a mãe, a pensar. Atento o ouvido Não venha acordá-lo alguém!
Que nem o mais leve insecto perpasse pela cabeça deste tenro amor dilecto com medo que ele estremeça!
Acorda? Já ela aflita não sabe o que há de fazer! Se o pequeno chora e grita Já pensa que vai morrer.
Mas voltou ao lindo rosto a rósea cor? Que alegria! Faz até sorrir de gosto Contemplá-lo nesse dia.
Chega o marido; nos braços ela tem o filho agora; Oh que famintos abraços! De tanta alegria chora!
É que só ela é que sabe apreciar quanto vale um afecto que só cabe no coração maternal!
Que imenso amor, que doidice! Ó filhos, vós não pagais, nem que de rastos vos visse, um beijo de vossos pais.

Uma filmagem fabulosa!
Lindo! Realmente o que dizer diante de imagens como estas?
Apenas agradecer a quem teve a paciência de registar e nos proporcionar essa beleza ímpar.
Final emocionante, encontrar o ninho vazio e a resignação da missão cumprida... onde a semelhança
 é bem próxima da realidade de nossas vidas com relação aos nossos filhos.


sexta-feira, 29 de maio de 2015

Ser pai

- Sou pai, ainda ando na escola ... ouvi a um amigo.

PASSE A PALAVRA ... mesmo ...

Por favor, leia e multiplique:

a ruadojardim7.blogspot.com pretende (deseja), sempre pretendeu ser uma espécie de JORNAL para toda a gente, para bases, onde os assuntos fossem, tentassem ser, tão diversos quanto o são as conversas de jardim, onde, regra geral, se fala de tudo.

Chegados às mais de 7000 mensagens, "falei com os meus botões", e decidi abrir, de facto (de fato, diriam outros ...), este espaço, não apenas aos institucionalizados, mas nem sempre "tecnicamente" fáceis, à coisa simples que passa pela disponibilização do e-mail 

marcialconversas@gmail.com 

a quem, sem compromissos, quiser nele escrever, graciosamente, para eventual transcrição na 

ruadojardim7.blogspot.com

Fico à espera (e antecipadamente grato) de eventuais colaborações - a partir de ... de AGORA. M.A.

Exclui-se propaganda partidária seja de quem for e em que época for.

Convite publicado também no FACEBOOK







Este video foi-me sugerido pela minha neta quando aprendi a escrever aqui ...

Colaboração externa (85) - A anedota

A GRANDEZA DE DEUS


Uma senhora idosa muito pobre ligou para uma rádio cristã pedindo ajuda desesperada, pois estava em dificuldade.

Um ateu que ouvia a emissão no carro, decidiu provocar a fé da senhora:
Apontou o endereço dela e pediu à sua secretária que fosse entregar um cesto cheio de alimentos na residência da velhinha instruindo a funcionária de que quando a senhora perguntasse quem tinha enviado aquilo, ela deveria responder "foi o diabo".

A secretária foi a casa da senhora e entregou o cesto. Como a senhora, visivelmente alegre, não dizia nada, a funcionária perguntou:
"Não quer saber quem enviou isto?"
Calmamente, a senhora idosa respondeu:
"Não importa, menina. Quando Deus manda, até o diabo obedece!".

O comportamento do sr. Mendonça e os "tachos" ... (*)

O sr. Mendonça era subdirector de uma lusa instituição onde, a certa altura, se anunciou para breve a demissão do respectivo director. Foi então que o sr. Mendonça, cristão nas falas, crente, se calhar, na minha eventual(íssima) influência, me disse que se ele fosse nomeado director, me proporia para o lugar de subdirector que ficaria vago ...

Ouvi e calei-me, algo atordoado, pasmado, confesso. Tão surpreendido que ainda lembro a promessa...  

Só que, entretanto, o que aconteceu é que, quem tinha que nomear nomeou, mas não o subdirector em título para o lugar deixado vago e ... e eu acabei por nunca experimentar ser o prometido subdirector na vaga esperada ... 

Saído, então, o director demissionário sem promoção hierárquica do seu colaborador directo - o subdirector sobrante do exercício anterior demitiu-se - e eu, portanto, não ascendi à categoria particularmente prometida ... 

 Mas não é isso que interessa AQUI... O que é aqui digno de breve reflexão é o facto de subdirector que se auto-excluiu, cumprimentado várias vezes em épocas festivas posteriores (Natal e outras) nunca mais ter retribuido os cumprimentos que inúmeras vezes lhe fiz chegar. Durante larguíssimos meses. 

Espero que ainda esteja de boa saúde. E seja director de qualquer coisa ... Que eu fui, entretanto, "promovido" a director da ... da ruadojardim7, onde dou, há anos, e recebo, bons votos de quem passa ... Na tranquilidade da liberdade. Sem tachos. 


* A que os tempos dão (e darão ...) actualidade.O relatado tem 15 anos ou mais ...

Museu Colecção Berardo (2)


Colaboração externa (84) - Georges Moustaky


RTP: com Alberto João, NÃO!...

Alberto João Jardim esteve ontem, mais uma vez, em nossas casas, desta feita, integrando um grupo de políticos e/ou comentadores, que estreavam um novo programa de debate político.

Este apontamento não é, entretanto, para felicitar o moderador responsável pela escolha de um one man show capaz de lhe garantir audiências, é para ... Com efeito, o ex-presidente do Governo Regional da Madeira, cada vez que aparece, não é que seja, mas faz sempre o papel de ditador, de monopolizador das atenções.

Não sei, por isso. se Carlos Daniel, fez bem em convidar quem às vezes parece saber tudo, mas não permite que se saiba nada ... Talvez a imagem acima, se tivesse sido possível no programa ontem "inaugurado", fosse a desejável, não só para a RTP (Carlos Daniel),
como para quem gostava de ouvir os demais convidados ...
Em suma, com Alberto João não é possível ter outra opinião - rima e é verdade ...
Caro Carlos Daniel, por favor, não volte a chamar João Jardim, que é homem de chinfrim ...

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Colaboração externa (83) - Exercícios com as mãos

Realizar exercícios com as mãos pode ser a cura para uma série de doenças!

A simples movimentação dos dedos das mãos funciona como uma cura milagrosa.
Um exercício simples, que pode ser praticado diariamente, a qualquer hora.


Os benefícios são enormes :
1.    Cura a depressão
2.    Cura o stress
3.    Normaliza a tensão arterial
4.    Activa a produção de serotoninas (aumentam o prazer e a alegria)
5.    Activa a circulação sanguínea
6.    Cura crises de pânico
7.    Elimina fobias
8.    Melhora a auto-estima
9.    Acalma os nervos



       VEJAM ABAIXO COMO DEVE SER FEITO


Colaboração externa (82): Ditados populares

DITADOS POPULARES


E pensamos que repetimos correctamente os "ditados populares"...

APRENDER A FORMA CORRECTA:

HOJE É DOMINGO PÉ DE CACHIMBO...
e eu imaginava como seria um pé de cachimbo, quando o correcto é:
HOJE É DOMINGO PEDE CACHIMBO...
Domingo é um dia especial para relaxar e fumar um cachimbo ao invés do tradicional cigarro (para aqueles que fumam, naturalmente...).

Diz-se: "Este miúdo não pára quieto, parece que tem bichos carpinteiros"
Foi uma grande dúvida na minha infância...
Mas que bicho-carpinteiro" é esse?
Um bicho pode ser carpinteiro???"
Correcto:
"Este miúdo não pára quieto, parece que tem bichos no corpo inteiro".
Aí está a resposta ao meu dilema de infância!"

"Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão"
Mas o correcto é:
"Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão"
Se a batata é um tubérculo subterrâneo, ou seja, nasce enterrada, como ela se esparramaria pelo chão se ela está em baixo dele?" 

"Cor de burro quando foge"
O correcto é:
"Corre de burro quando foge!"
Este é o pior de todos!
O burro muda de cor quando foge? De que cor fica? Porque mudaria de cor?

Outro em que todos erram:
"Quem tem boca vai a Roma"
Bem, esse eu achava que percebia, de um modo errado, mas percebia!
Pensava que quem sabia comunicar ia a qualquer lugar!"
O correcto é:
"Quem tem boca vaia Roma"
(Isso mesmo, do verbo vaiar). 

Outro que toda a gente diz de forma errada:
"Cuspido e escarrado" - quando se quer dizer a alguém que é muito parecido com outra pessoa.
O correcto é:
"Esculpido em Carrara"
(Carrara é um tipo de mármore)

Mais um famoso....
"Quem não tem cão, caça com gato"
Entendia também, de forma errada, mas entendia!
Se não tem um cão para ajudar a caçar, utiliza um gato!
Embora o gato só faça o que quer, pode ser que nesse dia esteja de bom humor!
O correcto é:
"Quem não tem cão, caça como gato"... ou seja "sozinho!"

Não me diga que sabia o verdadeiro sentido de algum destes ditados populares ?

Colaboração externa (81): Che Guevara e Fidel (1961)



Crees que alguna vez restableceremos relaciones diplomáticas con los yankees?"- le preguntaba el joven Che Guevara a Fidel Castro en 1961.
-"Será el día en el que el Presidente de los Estados Unidos sea negro y el Papa argentino como tú".

Feira do Livro, em Lisboa

Há lugar para mais um,
ou o argumento da CRISE
é travão para os autores?

Macau: hotelaria emprega quase 50 mil pessoas

 



by 
Ponto Final
No final de Abril a taxa de desemprego continuava inalterada. Só 6700 pessoas não dispunham de emprego. 
"No final de Março, trabalhavam nos hóteis do território mais 45 800 pessoas, o que representa uma subida de 2,6 por cento face aos valores obtidos em igual período de 2014.
De acordo com os dados compilados no inquérito parcial às necessidades de mão-de-obra e remunerações referentes ao primeiro trimestre de 2015, os 45.817 trabalhadores dos hotéis de Macau auferiam uma remuneração média – excluindo prémios e as participações nos lucros – de 16 430 patacas, um valor que reflecte um aumento de 8,4 por cento face ao final do primeiro trimestre do ano passado.
Já os restaurantes e similares empregavam 25.260 trabalhadores, ou mais 10,9% em termos anuais, com uma remuneração média de 8.850 patacas (995 euros), ou mais 4% do que no mesmo período do ano passado.
No final do primeiro trimestre existiam 1.451 vagas nos hotéis locais - cerca de metade do número do fim do primeiro trimestre de 2014 - e 2.381 vagas nos restaurantes, menos cerca de 20% face a Março do ano passado.
Já no que respeita o número de vagas no fim do primeiro trimestre havia no sector hoteleiro 1.451 vagas e no sector “restaurantes e similares” 2.381 vagas, ou seja, menos 1.525 e 635 vagas, em termos anuais.
No final de Março, Macau disponibilizava cerca de 28 350 quartos, divididos por uma centena de hotéis e de pensões locais.
Com um total de 399.500 pessoas empregadas em Macau, a taxa de desemprego em Macau foi de 1,7 por cento entre os meses de Fevereiro e Abril do corrente ano, um descida de 500 pessoas em termos anuais.
Os trabalhadores não residentes traduzem já 44,24 por cento das pessoas com trabalho localmente, estando autorizados a residir na RAEM temporariamente exclusivamente por questões profissionais.
Até ao final de Abril o número de trabalhadores não residentes registados em Macau ultrapassou as 176.777 pessoas, mais 18,47 por cento do que no mesmo mês do ano passado.
De acordo com dados disponibilizados pelo Gabinete de Recursos Humanos, no final do passado mês estavam registados 115.565 trabalhadores oriundos da China, ou seja, mais 21,67 por cento do que em Abril de 2014, 22.352 das Filipinas (mais 12,17 por cento), e 13.661 do Vietname (mais 7,78 por cento)."

Em família: ver Emília Alves, a pintora



Poupanças em risco na CGD?

in Wikipédia
"(...) O golpe de estado de 28 de Maio de 1926 iniciou-se como mais um levantamento, dos muitos que já tinham surgido no seio da Primeira República Portuguesa, coincidindo com um momento crítico para o governo presidido por António Maria da Silva. Embaraçado pela crónica má gestão do monopólio dos tabacos, um problema que já afligia os governos portugueses desde a fase final da monarquia constitucional, o governo decidira a 25 de Maio deixar de representar-se na Câmara dos Deputados, cortando os últimos laços com a legitimidade parlamentar (...)"

Não, não é do 28 de Maio, não é de Salazar, que aqui se vai escrever hoje, embora a liberdade (justiça se faça), agora, o permitisse. Aquilo porque, por coincidência, se faz esta nota é outra: é a violência com que, por exemplo, a Caixa Geral de Depósitos "anuncia" a sua "ida" às chamadas "contas poupança" - que acabam por resultar do facto de o Estado pagar as reformas dos trabalhadores através ... através da dita Caixa Geral. Quer dizer, as autoridades públicas, a chamada Segurança Social, no fundo e na prática, "arquitecta"  ir buscar milhões onde, individualmente, depositou tostões ... Isto é, vai tirar onde se obrigou a pôr ... Sabendo que, sabendo que poupanças só tem, em principio, quem não tem milhões ... Com medo de quem tem milhões os leve às costas para outras bandas ...


Como é que isto se resolve?- perguntar-se-á. Não sei e se soubesse também não era com certeza para Cuba, por exemplo, que "exportava" os meus "capitais"... 


A coisa não é fácil, acredita-se, mas se fosse fácil não seria preciso pagar tudo - e sem poupança, a quem se prepara para cortar nas ditas poupanças (não aos milhões...) que inventou para ... para nem sempre se saber para quê ... O que se sabe é que está em preparação uma ida aos pequenos "cofres" alheios - que foram promovidos, digo eu, para captar as ... as pequenas poupanças ... Eu, o que EU sei é que, se na minha vida quotidiana, fizesse algo semelhante, seria preso. Como faço parte dos da economia doméstica de pataco, zás! Dá cá e ... e cala-te.


Não, não me calo: sugiro que, aqui, na INTERNET, se quebre o sigilo e sejam declarados todos os depósitos milionários existentes, por exemplo, na Caixa Geral de Depósitos, intermediária do Estado para o pagamento das reformas que, nalguns casos, foram "inventadas" por ... por Marcelo Caetano, que hoje, 28 de Maio, se não celebra.


É claro que queremos Democracia, é claro que não queremos recuar, mas também não podemos aceitar que, por eventual má administração, optem pela via mais fácil e sem defesa - a não ser a de os mandar onde ninguém gosta de ir ... 




                                                            A copiar, para já, no FACEBOOK, que dizem social 

Colaboração externa (80) - Os sapatos


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Lavoisier e, com a devida vénia, EU, o da "rua" ...

Lavoisier

Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma


Eu, o da "rua"

com a devida vénia e a maior simplicidade, uma "cena" inesquecível:

Um dos superiores com que trabalhei directamente, um dia despediu-se e foi ocupar um alto cargo burocrático numa das faculdades que Lisboa tem, que, como era (é) natural, mantinha actividade cultural aberta ao exterior.

E, num dos dias em que isso aconteceu, eu apareci e a primeira coisa que fiz, com naturalidade, ainda nos corredores de acesso ao respectivo auditório (em escada), foi cumprimentar o "senhor director" com quem trabalhara anos a fio, que, com um sorriso amarelo, logo me deu a entender que o que se iria ali passar não era, como se costuma dizer, "para os meus dentes ..."

Encaixei, "não percebi", e, pouco depois,
o "senhor director" foi, ostensivamente, com lugares vagos por todo o lado, sentar-se no lugar, quiçá, mais importante de todo o amplo, e quase vazio, espaço do auditório em causa.

E, então, pensei:

Recebeste-me com soberba, mas vais querer que te veja aí sentado ...Mas eu vou sentar-me na última fila, onde, se quiseres ver se estou a observar-te  na "cagança" da tua nova função, tens que adivinhar e ... e torcer o pescoço ...

E assim foi: pouco depois, estava prestes a começar o que ali me levara e logo se começou a observar, à distância, a cabeça giratória, e sem parança, do senhor que queria ser visto na sua nova função - onde não era suposto estar um curioso, o mero curioso cultural que, durante anos ... lhe "aconselhara" milhentas coisas ...

Em síntese, com a devida vénia a Lavoisier, ali, naquela tarde e naquela "ilustre sala", onde era "escandaloso" estar quem tanto "aconselhara" em realidade diferente embora, na verdade, nada se criou, quase tudo se perdeu, porque se transformou...

Ganda gozo, meus Amigos! Nunca mais lhe pus a vista em cima. É assim.




Fotografia: pontos de vista


C.G.D.- Alteração das Taxas de Juro dos Depósitos *

* a senhora Ministra não disse nada, mas, na área da sua competência, o banco do Estado já está a lançar "indirectas" a propósito dos tostões do Zé ... Leia e divulgue

Manuel da Costa - o organeiro que a Gulbenkian deixou emigrar

                      Um forte e saudoso abraço, caro Manuel da Costa,
- que se reafirma no meu/nosso livro ENTRE VISTAS nos Arredores das                     Montanhas Azuis, aí começado, nessa Austrália da minha saudade

                   








This instrument, like many more, was built by those who owe my coming to Australia, who always maintained their competence and professional credit in construction and pipe organ restoration in this country. With it I was privileged to have worked, and still maintain a great and reciprocal friendship. Although for health reasons he is already retired for a few years ago, may God keep him  for several more years, since age does not forgives us!  ( Forgive my English and my poor translation).

Este instrumento, como muitos mais, foi construído por quem devo a minha vinda para a Austrália, pessoa que sempre manteve a sua competência e crédito profissional na construção e restauro de órgão de tubos neste país. Com ele tive o privilégio de ter trabalhado, e de ainda hoje manter uma grande e recíproca amizade. Apesar de por motivos de saúde já se encontrar retirado há alguns anos, que Deus o mantenha entre nós por mais alguns anos, pois a idade não nos perdoa!

Em que partido devo votar?



Em antevéspera de eleições em Portugal, por exemplo, que partido votar, se quero:

- Viver e conviver sem medos físicos e/ou psicológicos quando falo ou estou com os outros?

- Coabitar com quem entende que tudo é de todos?

- Falar com quem não foi capaz, ou não conseguiu, por razões económicas ou intelectuais, de se situar, na sociedade, intelectualmente, acima da média de que se fala?

- Dissertar acerca de Lenine, de Salazar, ou da ex-União Soviética?

- Falar da liberdade de expressão, mesmo que isso "me obrigue" a citar eventuais  corruptos ou de tal suspeitos?

- Dizer, comentar, o que ando a ler, ou o que leio normalmente?

- Referir os programas que vejo nas televisões sem que me sinta, eventualmente, censurado?

- Escrever sem condicionamentos políticos?

- Dizer mal de tudo, sem justificar o que digo com factos objectivos?

- Votar toda a vida na mesma ideia, ou "mudar de ideias"?

Do acontecido e, salvo erro, já aqui "relatado":

um dia fui a uma reunião na Câmara Municipal de Loures, perto da ruadojardim, donde vos escrevo hoje e, durante mais de uma hora, entre umas dez pessoas, fui o único que se manteve calado o tempo todo. A certa altura, "explodiu" a pergunta do, na aparência, mais à esquerda:

- Porque é que ainda não disse nada até agora?

- SOU O POVO, respondi.

E fez-se um silêncio amarelo na sala. E, sem interrupções, falei ...

E cá volto de novo, agora inquieto com o que por aí se vai dizer, antes de votar ...

Peço desculpa, mas já tenho uma ideia ... que não digo ... para que a liberdade se cumpra. Ao menos, AQUI, que, se há BASES, esta é uma delas: banco de jardim, sem olhar a quem aproveita a sombra.

- Mas quem é que te encomendou o "sermão"? - perguntar-se-á.

- Não digo. Ainda estou a pensar na pergunta em título.

Em família: ver Emília Alves, a pintora


MACAU: PSP frustra rede de branqueamento de capitais

 

by Ponto Final
Suspeitos usavam cartões de débito de bancos da China para levantar dinheiro em Macau e depositar em contas de salas VIP de casinos. Desde Abril podem ter movimentado 60 milhões de dólares de Hong Kong.
Rodrigo de Matos
"Dois homens, residentes de Macau, foram detidos pela Polícia de Segurança Pública (PSP) e um terceiro encontra-se ainda a monte, depois das autoridades do território terem frustrado um esquema de branqueamento de capitais provenientes da República Popular da China. Os suspeitos recorriam a duas contas em salas VIP de casinos da RAEM para darem sumiço ao dinheiro.
O esquema foi descoberto quase de forma acidental no último sábado, quando uma patrulha da Polícia de Segurança Pública suspeitou de um indivíduo que efectuava levantamentos numa caixa multibanco da Rua da Ribeira do Patane. O suspeito, que não conseguiu esconder o nervosismo quando foi abordado pelos agentes, foi revistado e os polícias encontraram bem mais do que estavam à espera. Para além de 200 mil dólares de Hong Kong, o indivíduo tinha ainda em seu poder nada menos do que 50 cartões da rede Union Pay emitidos por vários entidades bancárias da República Popular da China.
Interrogado, o suspeito – um residente de Macau de 25 anos – acabou por confessar que os cartões lhe tinham sido facultados por um cidadão do Continente, com quem mantinha contacto regular desde Abril: “Este indivíduo recebia 50 cartões de cada vez do cúmplice chinês, dirigia-se a caixas de levantamento automático e retirava um total de 500 mil dólares de Hong Kong, que depois depositava numa de duas contas abertas em salas VIP de casinos de Macau”, explicou Lam Keong, sub-comissário da PSP, em conferência de imprensa.
“O suspeito admitiu que os levantamentos eram prática comum desde Abril e que em pouco mais de um mês terá movimentado cerca de 20 milhões de dólares de Hong Kong”, acrescentou Lam.
O jovem, de 25 anos, recebia um salário mensal de 18 mil patacas para realizar a tarefa. A PSP prosseguiu as investigações e acabou por deter outro indivíduo, também residente de Macau, de 30 anos, inserido no mesmo esquema. O segundo suspeito confessou que agia em parceria com o primeiro detido e ainda com um outro, que ainda se encontra foragido. Recebia 17 mil patacas por mês, desde Abril, para operar exactamente a mesma tarefa. O suspeito recebia de um contacto na República Popular da China um total de 50 cartões de débito, que usava para fazer levantamentos que ascendiam aos 500 mil dólares de Hong Kong. O montante era depois depositado nas mesmas contas VIP. Desde Abril, o indivíduo terá feito depósitos no valor de 20 milhões de dólares de Hong Kong.
Caso o suspeito que se encontra foragido tivesse entrado no esquema na mesma altura e agido ao mesmo ritmo – o que ainda está por confirmar – a rede pode ter movimentado só com este três indivíduos cerca de 60 milhões de dólares de Hong Kong. Por apurar está ainda quem eram os contactos na República Popular da China que passavam os cartões aos indivíduos. Os suspeitos foram presentes ao Ministério Público e deverão responder pelo crime de lavagem de capitais."

Importante:o homem também é bom a fazer o pino ...


terça-feira, 26 de maio de 2015

COLABORAÇÃO EXTERNA (79): Português tal qual não se deveria escrever

 Texto retirado de um despacho de Assunção Esteves, aquando da sua passagem pelo Tribunal Constitucional:

 "Nenhum critério densificador do significado gradativo de tal diminuição quantitativa de dotação e da sua relação causal como início do procedimento de requalificação no concreto e específico orgão ou serviço resulta de previsão legal, o que abre caminho evidente à imotivação..."

 Desafia-se qualquer um a traduzir isto.
 O mesmo desafio estende-se à frase por ela proferida em recente entrevista: 
“…Houve um inconseguimento do soft power sagrado da Europa”




PERGUNTA  DA RUADOJARDIM7:

E se passasse a haver um exame (Secundário ou Superior, conforme o caso ...Podia ser confidencial) para cada um dos candidatos a lugares com responsabilidade pública?!...

Colaboração externa (78) - O "poligrota"






"É verdade matemática que ninguém pódi negá, 
que essa história de gramática só serve pra atrapaiá.
Inda vem língua estrangêra ajudá a compricá.
Meió nóis cabá cum isso pra todos podê falá.

Na Ingraterra ouví dizê que um pé de sapato é xu.
Desde logo já se vê, dois pé deve sê xuxu.
Xuxu pra nóis é um legume que cresce sorto no mato.
Os ingrêis lá que se arrume, mas nóis num come sapato.

Na Itália dizem até, eu não sei por que razão,
que como mantêga é burro, se passa burro no pão.
Desse jeito pra mim chega, sarve a vida no sertão,
onde mantêga é mantêga, burro é burro e pão é pão.

Na Argentina, veja ocêis, um saco é um paletó.
Se o gringo toma chuva tem que pô o saco no sór.
E se acaso o dito encóie, a muié diz o pió:
''Teu saco ficô piqueno, vê se arranja ôtro maió'...

Na América corpo é bódi. Veja que bódi vai dá.
Conheci uma americana doida pro bódi emprestá.
Fiquei meio atrapaiado e disse pra me escapá:
Ói, moça, eu não sou cabra, chega seu bódi pra lá!

Na Alemanha tudo é bundes. Bundesliga, bundesbão.
Muita bundes só confunde, disnorteia o coração.
Alemão qué inventá o que Deus criou primêro.
É pecado espaiá o que tem lugar certêro.

No Chile cueca é dança de balançá e rodá.
Lá se dança e baila cueca inté a noite acabá.
Mas se um dia um chileno vié pro Brasir dançá,
que tente mostrá a cueca pra vê onde vai pará.

Uma gravata isquisita um certo francês me deu.
Perguntei, onde se bota? E o danado respondeu.
Eu sou home confirmado, acho que num entendeu,
Seu francês mar educado, bota a gravata no seu!

Pra terminar eu confirmo, tem que se tê posição.
Ô nóis fala a nossa língua, ô num fala nada não.
O que num pode é um povo fazê papér de idiota,
dizendo tudo que é novo só pra falá poligrota..." 

                                      
(Autor desconhecido)

Um dos mais belos tetos portugueses que conheço


Grease on Broadway - ao vivo, um serão único (1980) *

* e um regresso, do Royale Theatre, a pé, uns dois quilómetros, para o hotel, noite alta, em Nova Iorque, numa 8ª Avenida quase deserta, sem táxis sequer que se vissem ...

MACAU: Macau ainda tem um gigante adormecido


by Ponto Final
Sónia Nunes
"Quase ninguém esquece o momento em que se apercebe de que está no meio de um acontecimento histórico. António Katchi soube que aquele dia, 25 de Maio de 2014, ia fazer a diferença em Macau ao decidir comprar uma garrafa de água. Os termómetros acusavam uma temperatura acima dos 30 graus quando, naquela curva à entrada da Rua do Campo, o jurista se distanciou por momentos do protesto em que estava a participar. No regresso, ficou surpreso: “Estava (achava eu) na cauda da manifestação. Julgava que, quando voltasse, já teriam passado todos. Mas não. Ainda havia muita gente.”
A diferença, nesta altura, era ainda apenas o número de pessoas na rua: “Nunca tinha visto. Mesmo nas manifestações mais participadas, como no 1º de Maio de 2007, não houve tantas pessoas”. A organização fala em 20 mil pessoas; a polícia diz oito mil. Facto: foi o maior protesto no território desde que a China assumiu a soberania sobre Macau, em 1999.
Os jovens destacavam-se entre a multidão que surgiu como um mar de t’shirts brancas, a cor escolhida pela organização para mobilizar manifestantes. A campanha do grupo pró-democracia Consciência de Macau foi feita na rede social “Facebook” e funcionou. Milhares de pessoas substituíram a foto de perfil por imagens onde se lia “Withdraw” – a palavra de ordem do protesto. Os manifestantes exigiam a retirada da “lei dos gananciosos”, assim chamada em alguns dos inúmeros cartazes, escritos sobretudo em chinês, mas não só.
“Ali Baba e os 40 ladrões”, “Não tem vergonha” e “Roubam o cofre do povo” foram as frases usadas em português para descrever a lei que Chui Sai On tentou ver aprovada três meses antes das eleições e que criava um pacote de regalias para os titulares dos altos cargos públicos. Exemplo: após o termo de funções, o Chefe do Executivo teria direito a receber 70 por cento do salário e, enquanto estivesse a exercer o cargo, garantia total imunidade.
“As pessoas ficaram muito revoltadas. Estavam em pleno desacordo. O campo pró-Governo convenceu-se que, face à vitória esmagadora nas eleições legislativas [de Setembro de 2013], conseguiria passar qualquer lei. Não foi o que aconteceu”, destaca Jason Chao, um dos líderes dos protestos.
Horas depois da manifestação de 25 de Maio, foi convocada uma reunião de emergência do Conselho Executivo. Os conselheiros (e deputados) Leonel Alves, Chan Meng Kam e Cheang Chi Keong avançaram com uma proposta. A saber: adiar a votação da lei, agendada para dois dias depois. Chui Sai On acabou por pedir a suspensão do processo – mas não conseguiu travar uma segunda manifestação.
Governo em período de graça
A intenção inicial dos manifestantes era cercar a Assembleia Legislativa com um cordão humano, mas acataram as ordens da polícia e o resultado, a 27 de Maio, foi uma concentração sem precedentes em Macau. Ao final da tarde contavam-se cerca de sete mil pessoas sentadas no relvado em frente ao edifício da AL. António Katchi estava lá: “Apanhei o autocarro, que vinha cheio, com muitos adolescentes. Quando chegou à paragem [da AL] ficou vazio. Foi quando me apercebi que também iam para a manifestação”.
Ao longo do dia, a partilha de informação sobre o que se estava a passar dentro e fora do plenário estava ao rubro no “Facebook”. Os deputados cederam ao pedido do Chefe do Executivo quando o que os manifestantes queriam era a retirada total do diploma. A multidão exaltou-se, pediu a demissão de Chui Sai On, gritou “lixo” (no trocadilho com a designação em cantonês da AL) e chegaram a ser arremessadas garrafas de plástico contra carros de deputados.
A campanha contra a criação de um regime de regalias para ex-governantes continuou nas redes sociais após a manifestação do dia 27: foram enviadas mensagens de repúdio aos deputados pró-Governo e feito um apelo ao boicote aos restaurantes do deputado Chan Chak Mo, que deu a cara pela proposta de lei.
Nos dois campos – tradicional e pró-democracia – vingava a tese de que as manifestações de Maio marcavam um ponto de viragem no activismo político. “Macau acordou”, era a metáfora usada, com políticos e comentadores a concordarem que a proposta de lei tina sido apenas a gota de água: a contestação foi vista como um chumbo ao primeiro mandado do Chefe do Executivo. Três meses depois Chui Sai On foi reeleito, nomeou Chan Chak Mo para o Conselho Executivo sem qualquer contestação e a tradicional manifestação de 20 de Dezembro pelo sufrágio universal juntou apenas uma centena de pessoas. Afinal, o que mudou?
“Se a substituição dos secretários não é uma mudança, então o que é?”, devolve Gabriel Tong. O vice-director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau garante: “Quer o Governo, quer os cidadãos têm uma nova atitude perante a política. A sociedade está mais participativa e o Governo mais aberto à fiscalização pública”. “É uma coisa que, se calhar, não se vê, mas sente-se”, acrescenta.
“O surgimento de ondas de mobilização [social] está dependente do desempenho do Executivo”, destaca Eilo Yu, analista político e coordenador da em Governo e Administração Pública na Universidade de Macau. Em funções há pouco mais do que cinco meses, o novo Governo estará ainda a beneficiar do tradicional período de graça.
António Katchi e Jason Chao também admitem esta hipótese. No entanto, entendem que o factor decisivo para o abrandamento do movimento foi a resposta esmagadora que o Governo deu ao referendo civil sobre as reformas eleitorais.
“Repressão” do referendo inibiu movimento
Macau viveu um Verão quente no ano passado. Uma semana depois das manifestações contra o regime de garantias e pela primeira vez desde 1995, a vigília em memória das vítimas do massacre de Tiananmen fez-se no Largo do Senado. O falecimento de Ma Man Kei, um dos líderes históricos da comunidade chinesa e empresário próximo do Partido Comunista Chinês, levou ao cancelamento dos espectáculos do Dia Mundial da Criança, usados pelo Governo para desviar a vigília da principal praça de Macau. As cerca de três mil pessoas que assinalaram os 25 anos da repressão do movimento estudantil pró-democracia de Pequim não teriam cabido no Largo de São Domingos.
No final do mês seguinte, em Julho, mais de mil pessoas cercaram o casino Venetian para pedir aumentos salariais. Em Agosto, multiplicaram-se as manifestações contra a política de contratação das operadoras de jogo e houve ameaças de greve. Ao mesmo tempo, os líderes dos protestos de Maio tentavam organizar um referendo não oficial sobre a eleição do Chefe do Executivo por sufrágio universal.
A iniciativa do campo pró-democracia foi classificada como ilegal pelo Governo, que proibiu a votação física, que acabou feita através de 'tablets', depois de o Tribunal de Última Instância não ter viabilizado a colocação de urnas na via pública. A polícia apreendeu os aparelhos electrónicos, deteve cinco activistas e abriu uma investigação criminal contra Jason Chao por desobediência qualificada pela recolha de dados pessoais, fornecidos voluntariamente.
Apesar da pressão das autoridades, os resultados do referendo foram divulgados no mesmo dia em que Chui Sai On foi reeleito. Mais de 8600 pessoas participaram na votação e 95 por cento defenderam que o Chefe do Executivo devia ser eleito por sufrágio universal em 2019.
“Foi um sucesso relativo, tendo em conta a conduta repressiva das autoridades e que [os participantes] sabiam que podiam ser identificados”, avalia Katchi. “O movimento [pró-democracia] poderia ter evoluído mais se não tivesse havido esta restrição à liberdade de expressão e este exercício de autoritarismo”, admite.
Jason Chao reforça a ideia: “A mudança [instituída pelas manifestações de Maio] não foi radical. Mas podia ter ido mais longe se não fosse a campanha de opressão do Governo contra o referendo civil. Houve um enorme abuso de poder”.
Mas se, como diz Chao, as pessoas já “sabem o poder que têm” por que não reagiram nas ruas? “É preciso tempo para que a campanha pela democracia atinja o mesmo nível de indignação causado por uma lei muito concreta e obviamente injusta como aquela”, observa o activista. Por outro lado, continua Katchi, a população pode ter chegado a uma conclusão: “Se forem matérias que envolvem o Governo Central não vale a pena lutar porque Pequim não cede”. O desfecho da chamada Revolução dos Chapéus de Chuva de Hong Kong terá fortalecido esta convicção.
O que acorda a bela adormecida?
A teoria da conspiração para justificar a adesão aos protestos de Maio, numa terra pequena, conservadora e tradicionalmente patriota é esta: as manifestações foram incitadas pelo próprio Governo Central ou, pelo menos, por uma facção do PCC. Os valores dos subsídios previstos para ex-governantes terão chocado Pequim. A agência estatal Xinhua escreveu um artigo em que questionava a pertinência da proposta de Chui Sai On e destacava que em Hong Kong não havia um regime equivalente.
“Repudio essa tese”, contrapõe Katchi. “Estou convicto de que a manifestação atingiu a dimensão que atingiu pelo envolvimento espontâneo e consciente das massas juvenis de Macau”. Não é de crer, nota o jurista, que o Governo local avançasse, por exemplo, com um regime de imunidade para o Chefe do Executivo sem a concordância de Pequim.
Um estudo feito pela empresa de sondagens ERS e-Research Lab concluiu que o “Facebook” teve uma “enorme influência” nos protestos: “Os comentários e mensagens no Facebook persuadiram os utilizadores a acreditar no movimento e fizeram-nos participar. À medida que mais pessoas se envolviam, a voz da oposição [à proposta do Governo] tornou-se mais forte, tornando-se mais fácil aumentar as expectativas de se atingir o objectivo", referia-se no estudo.
“A última campanha do movimento democrático inspirou, sem sombra de dúvida, muitas pessoas de Macau, sobretudo as gerações mais novas”, confirma Eilo Yu. O académico não hesita quando diz que os protestos de há um ano “marcam uma nova era” para o activismo político em Macau. A prova? “Os democratas mais jovens substituíram os mais velhos e agitaram o movimento”.
Os deputados Ng Kuok Cheong e Au Kam San, membros fundadores da Associação Novo Macau, deram espaço a um novo líder: Sulu Sou. Aos 23 anos foi a voz em destaque nas manifestações de Maio e dois meses depois conseguiu ser eleito presidente da principal organização pró-democracia local. Era sócio há menos de um ano.
A renovação teve danos colaterais. Ng Kuok Cheong e Au Kam San decidiram separar o escritório de deputados da sede da Novo Macau, cortaram o financiamento à organização e admitiram divergências nas formas de actuação e nos temas a trazer para a ordem do dia: “Houve conflitos que eram escusados. Mas não podemos concluir que [a nova geração] não conseguiu liderar o movimento. Não depende só deles”, entende António Katchi.
“A maioria da população está ainda céptica em relação à eficácia política que tem. São precisas várias vagas de mobilização para inspirar as massas”, conclui Eilo Yu. “As manifestações vão ficar como um símbolo do despertar da sociedade civil. Estão na memória colectiva”, vinca Jason Chao.
A sociedade civil pode voltar a acordar? Gabriel Tong responde que “nada impede a existência de aspectos que não correspondem às expectativas das pessoas” e aponta para o abrandamento da economia.
O efeito da quebra das receitas do jogo nos cofres do Governo é uma possível fonte de conflito, avança Katchi. O secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, admitiu já que pode avançar com um programa de austeridade. Em concreto, disse que o valor dos cheques à população poderá ser cortado. “Se o fizer vai ter gente na rua”, avisa o jurista, que admite também reduções noutros benefícios sociais, sem que a isenção do imposto complementar de rendimentos seja levantado às operadoras.
Mais: os problemas que há um ano fizeram com que o regime de garantias para ex-governantes fosse apenas o empurrão que faltava para a população tomar as ruas mantêm-se. Habitação, trânsito, saúde, segurança social – são “áreas onde os novos secretários são executores de velhas políticas”, resume Katchi.

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